quinta-feira, 7 de julho de 2016

"Lutar educa, educar para luta"

Esta frase tem muitos significados para mim. Ela representa o último período de luta (fazer 53 dias de greve é muito difícil. Dias que não foram de "férias", mas de muita luta). Passei por experiências inenarráveis que ainda preciso refletir muito para conseguir absorver tudo o que aprendi. Aprendizagens coletivas, paciência, garra... Mas acima de tudo, aprendi que temos, como categoria, que "reaprender a aprender". Nossos e nossas alunas têm muito pra nos ensinar.

Esta postagem é justamente para refletir sobre o reflexo das nossas práticas com nossos alunos. Postei alguns pensamentos sobre o PL da mordaça, mas quero agora falar sobre o contrário, do quanto o ensino crítico pode fazer com que formemos alunos pensante e que conseguem refletir sobre sua realidade, 

Só voltarei pra escola na segunda-feira, mas na atualidade, com tantas ferramentas de comunicação, é impossível ficar totalmente afastada. Sendo assim, tenho bastante contato com colegas e alunos mesmo que não de forma física. Além de professora de anos iniciais, sou uma das responsáveis da biblioteca na escola. Se por um lado isto é um problema - a falta de profissionais formados na área em escolas estaduais - por outro é maravilhoso. Tenho contato com um grupo bem diferente de alunos. Alguns destes alunos, ou melhor, alunas, são da turma do 9º ano e estão fazendo um trabalho muito interessante de Ensino Religioso. A professora, que é acostumada a trabalhar com Ensino Médio, definiu ni início do ano que sua aula seria muito parecida com a proposta do seminário integrado que eles terão a partir do 1ª ano do E.M. Sendo assim, eles teriam que escolher temas e fazer algumas pesquisas e criar um projeto. Desde o início me deixei a disposição e conversei bastante com alguns deles. Desde que iniciou a greve, me afastei. Esta semana voltei a falar com elas e descobri que os grupos que acompanhei (sobre feminismo e LGBTfobia) terão como projetos "o ensino não-machista de meninos e meninas" e a diferença entre privilégios e direitos". Óbvio que não acredito que isto seja resultado apenas dos nossos trabalhos como professora, mas tenho orgulho em saber que as conversas, as sugestões de leitura, as reflexões que faço podem ajudar na construção de uma realidade não tão opressora. É incrível ver adolescentes se preocupando com sua realidade e tentando intervir nelas. É inspirador e me emociona profundamente. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

PL 190 - Lei da Mordaça

Como já falei aqui há um projeto na Assembleia Legislativa com o nome de Escola Sem Partido". Pra mim este é um nome de cunho demagógico que tenta se aproveitar do sentimento apartidarista das pessoas. "Esquece" que partidário significa se posicionar e tomar parte. Quer que a escola se torne tecnicista e acrítica, Como material para refletirmos, nos formar e, em último caso, nos ajudar a nos defender, construímos uma cartilha que trata sobre este projeto (que tem sua versão municipal em Porto Alegre e Federal). Posto aqui o link da cartilha




(Farei também uma nova aba para deixar mais fácil de acessá-lo)

Tentando corrigir o "ERROR"

Realmente fiquei deprimida ao perder a postagem. Pela primeira vez em algumas semas estava lendo o texto pausadamente, fazendo quase um fichamento para responder. Indo aos poucos, escrevendo e refletindo. Tanto que para reescrever não precisei voltar ao texto nenhuma vez. Provavelmente o texto final ficou muito aquém do que teria ficado o primeiro, mas neste momento em que estou frustrada com uma série de coisas, ter cometido este erro me deprimiu. Postarei o texto aqui para que possam ler e, conhecendo a teoria, possam opinar sobre o que escrevi e me ajudem a continuar refletindo e reformulando as sínteses.


"Ao nos questionarmos sobre a importância do brincar, sempre respondemos que o brincar em sala de aula é fundamental, que devemos propiciar aos nossos alunos momentos lúdicos. Mas muitas vezes podemos observar na escola este discurso sendo muito distante das nossas práticas. O recreio e a recreação passam a ser por "merecimento" e não como conteúdo obrigatório das nossas aulas. Utilizamos jogos para ensinar os conteúdos, mas suprimimos a parte em que os alunos tem que criar e os fazemos apenas reproduzir o que consideramos importante. Centrarei a análise teórica do brincar ao capítulo "Concepções do brincar na psicologia, de autoria de Vieira, Carvalho e Martins. No texto as três, apesar explicarem que os estudos psicanalíticos do brincar não se reduzem aos três, elas retomam as explicações de Winnicott, Piaget e da abordagem sócio-cultural. Se para o primeiro a relação da criança com o brincar será influenciada pela relação que esta teve quando bebê com sua mãe. E seria nossa tarefa como educadores propiciar aos estudantes um ambiente afetivo e seguro, que possibilite a criança a criar. Já para o segundo (Jean Piaget), os jogos devem ser pensados a partir da fase do desenvolvimento cognitivo dos nossos alunos, possibilitando a ele a compreensão do seu meio e caberia a nós a oferta de material adequado á fase de cada um e observar a evolução de uma fase a outra. Já para a abordagem histórico-cultural, as brincadeiras se  originam no conflito das crianças entre o desejo de serem adultos e a impossibilidade de o serem. E o brincar seria uma forma de desenvolver seus processos psicológicos tais como abstração, autocontrole, etc."

ERROR

Aquele momento em que te dá muita raiva por um erro que provavelmente não é (totalmente) tua culpa. Já falei sobreo atraso nas atividades. Pois bem, estou a 1 hora da manhã, tendo que levantar às 7h, respondendo um fórum da interdisciplina de ludicidade, Pensei duas vezes enquanto escrevia que deveria copiar antes de tentar enviar (porque quando demoramos a postar o moodle pede a senha outra vez), pois bem esqueci de copiar. Cliquei em postar  e a resposta que recebi foi que eu era convidada e não poderia fazer postagem. Refiz o login e... Nada, zero. O texto enorme, que demorei uns 40 minutos fazendo simplesmente sumiu.. Estou profundamente irritada, mas vamos lá refazer...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Direito ao brincar, liberdade expressão e um vídeo que adorei

Como falei na postagem anterior (sim, dividi as postagens em 2 porque tenho poucas e quero garantir que tenha o número mínimo pra apresentar o workshop, hehe) estou pondo as atividades em dia e tem coisas que eu ainda não tinha visto. Vi há pouco o vídeo "O fim do recreio" que é incrível. Não só por trazer a discussão da importância do brincar, mas porque foi impossível pra mim não relacionar ele com o famigerado PL190 que trata sobre a escola sem partido. 

"Acredito que viver significa tomar partido", já diria Gramsci. 


Entendo as pessoas que acham que devemos ter independência de partidos e governos -  defendo isto pro sindicato, imagina pra escola - mas este projeto nada mais é do que a lei da mordaça. Proibir o livre pensamento é, não só um absurdo, como inconstitucional. O conselho Estadual de Educação caracterizou o projeto de lei como "uma ameaça a liberdade de ensino". e relembra que ele fere, além da constituição, a Constituição Federal no artigo 206, a Declaração Universal dos direitos Humanos, a Declaração Universal do Direito das crianças, a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, a LDB e o ECA. Sabemos que a Constituição não tem sido muito respeitada, mas é um absurdo que uma lei destas seja aprovada em nosso estado (ou no Município, uma vez que algo bem parecido foi proposto na câmara de Vereadores de Porto Alegre)


Se não existe educação neutra, se toda neutralidade é uma opção escondida, que tomemos partido. O partido real da educação, da liberdade de expressão e do nosso direito à livre expressão das nossas opiniões. 






(o parecer do CEEDRS pode ser acessado aqui)

Preciso me organizar, preciso me organizar, preciso me organiza... (talvez se cantar este mantra consiga realmente me organizar)

Estou atrasada - que novidade! - nas atividades. Elogiei bastante a forma como ludicidade propôs suas atividades. Sempre achei que algumas de nós quer quase uma babá, que diga exatamente o que tem que fazer e quando. Fazer sem data prévia garante a autonomia e a independência das/dos alunas/alunos. O problema é que eu sou muito desorganizada... Poderia pôr a culpa nos meus 45 dias de greve, mas ano passado foi o fato de ter 2 turmas, este semestre a greve... qual seria a próxima desculpa? Mas é inegável que estou correndo agora contra o tempo. Fazendo o maior número possível de possível de atividades pra não precisar ficar com tudo pra julho. Fiz assim no último semestre e quase conta. Espero dar neste e conseguir me disciplinar pra não falhar tanto no próximo...

...

MAIS UMA VEZ SALVEI COMO RASCUNHO E NÃO PUBLIQUEI. COMO FOI UM MOMENTO DE ANGÚSTIA, DECIDI POSTAR (MESMO QUE TALVEZ CONTINUE ACHANDO QUE ESTE "NÃO É O ESPAÇO), POIS COSTUMO TER UMA POSTURA IMPOSITIVA E DÚVIDAS SEMPRE DEMONSTRAM COMO NOSSOS PENSAMENTOS SÃO CONSTRUÍDOS.


Nem sei mais o que escrever ou refletir. Estou há 6 semanas em greve. Ocupei coordenadoria, ocupei o CAFF, acompanhei algumas ocupações de escola... Participei/participo de reuniões do comando estadual. Tudo isto pra garantir uma escola pública, gratuita e de qualidade. Muitas pessoas não fazem greve e usam argumentos tais como:

- "estou preocupado com meus alunos" - Escolas estão desabando, prédios em ruína, fiação correndo o risco de pegar fogo... Sem contar que existe o risco de, se o PL44 for aprovado, das escolas serem entregues a iniciativa privada.

- "Sou contratado/estou no estágio probatório posso ir pra rua" - Se o pl44 for de fato aprovado e as escolas forem administradas pelas empresas de privadas, eles poderão gerir até mesmo o pessoal. Os nomeados irão para as escolas que sobrarem. E os contratados?

- "não posso ter o dinheiro descontado" - Estamos em junho. Além do governo debochar da nossa cara ao afirmar que este ano parcelou apenas seis vezes o salário, o Banrisul descontou, em parcela única, o empréstimo que deveria ter debitado em novembro e o governo não nos pagou. Ou seja, todos fomos descontados e estamos com a a conta negativada.

Sei que este não é o espaço para discutir isto, mas estou realmente cansada. Ainda mias porque há professores que não entenderam a situação das escolas (estaduais e municipais em Porto Alegre) e querem que realizemos em nossas turmas algumas atividades. Sexta-feira tem assembleia. Talvez volte segunda pra turma, talvez não. O que devo fazer?