domingo, 5 de agosto de 2018
Avaliação
O que é avaliação... Responder essa questão em meio a meritocracia, que muitos acreditam que a avaliação é feita apenas para rotular alunos, que professores bons são aqueles que rodam muitos alunos, etc. Avaliação é um assunto muito debatido e pouco realmente refletido nas escolas. Na escola em que atuava até ano passado, fui voto vencido no debate sobre mudar todo o currículo e a forma de ensino para adequar às avaliações externas. Se a avaliação é processo, é feita cotidianamente, se deve ser ponto de partida, como alguém que nunca viu meus alunos pode, a partir de uma prova descontextualizada, falar sobre a aprendizagem deles? Isso me lembra muito o debate do boicote ao ENADE e a responsabilidade pela qualidade do ensino das faculdades recair apenas nos alunos. Como se estrutura, quadro docente, valorização da educação não fosse parte fundamental disso.
Inovação tecnológica x inovação pedagógica
Adianta propor em sala de aula todas as novidades tecnológicas sem inovar na prática pedagógica? Qual a diferença entre copiar do quadro e copiar de um slide?
A inovação pedagógica é quando ocorre uma ruptura com o tradicional, onde o professor se dá conta, que a aula tem que romper as barreiras do quadro negro e do livro, fazendo de outros espaços, um ambiente de saber. Fazendo com a construção da aprendizagem se dê através da relação do aluno com o mundo que o rodeia. Isso tudo ocorre, com o auxílio da tecnologia. Mas atentando ao fato de que nada adianta mudar os recursos, se a metodologia permanecer engessada.
Desafios da EJA
(Já que não consegui colar no local certo, posto aqui)
Ainda que possivelmente não leia as palavras/frases, ao menos aqueles e aquelas do ciclo de alfabetização, o aluno da EJA, já faz a leitura do mundo e reconhece informações do seu cotidiano. Em seu texto, Hara traz um pouco do que acontece na sala de aula da EJA no Brasil, dissertando sobre as dificuldades que os educadores encontram, na alfabetização de adultos. Tais desafios seriam: (1) A evasão. Já que o corpo discente desta modalidade geralmente trabalha fora e/ou em suas tarefas domésticas e chegam ao fim do dia, geralmente horário das aulas, com cansaço grande acumulado do dia; (2) fator social. Muitos destes e destas alunas estão à margem da sociedade, muitos não são alfabetizados ou letrados. A maioria faz parte da parcela mais pauperizada da classe trabalhadora, apresentando doversas dificuldades cognitivas que não tiveram acesso a escola no tempo regular de escolarização. E isso gera esse exclusão na vida em sociedade. Se a língua, a leitura e escrita tem poder, logo esses alunos não são empoderados no seu ambiente social.
Hara (p.9, 1992) formula uma questão essencial ao pensar na Educação de Jovens e
adultos “O que está incentivando alguém a procurar alfabetizar-se depois de adulto?
“ Prossegue, “São várias as respostas para essa pergunta, como a busca por um emprego melhor ou uma
melhor posição no atual emprego, ajudar os filhos com os deveres escolares, além de se sentirem
mais pertencentes a sociedade.
O processo de alfabetização desses adultos precisa ser dialógico com a realidade deles e
delas, que suas vivências sejam ponto de partida para a aprendizagem e que possam desenvolver a
leitura crítica do mundo, da sociedade, da sua realidade. E que se vejam como sujeitos, como
atores capazes de transformar essa realidade.
Ainda que possivelmente não leia as palavras/frases, ao menos aqueles e aquelas do ciclo de alfabetização, o aluno da EJA, já faz a leitura do mundo e reconhece informações do seu cotidiano. Em seu texto, Hara traz um pouco do que acontece na sala de aula da EJA no Brasil, dissertando sobre as dificuldades que os educadores encontram, na alfabetização de adultos. Tais desafios seriam: (1) A evasão. Já que o corpo discente desta modalidade geralmente trabalha fora e/ou em suas tarefas domésticas e chegam ao fim do dia, geralmente horário das aulas, com cansaço grande acumulado do dia; (2) fator social. Muitos destes e destas alunas estão à margem da sociedade, muitos não são alfabetizados ou letrados. A maioria faz parte da parcela mais pauperizada da classe trabalhadora, apresentando doversas dificuldades cognitivas que não tiveram acesso a escola no tempo regular de escolarização. E isso gera esse exclusão na vida em sociedade. Se a língua, a leitura e escrita tem poder, logo esses alunos não são empoderados no seu ambiente social.
Hara (p.9, 1992) formula uma questão essencial ao pensar na Educação de Jovens e
adultos “O que está incentivando alguém a procurar alfabetizar-se depois de adulto?
“ Prossegue, “São várias as respostas para essa pergunta, como a busca por um emprego melhor ou uma
melhor posição no atual emprego, ajudar os filhos com os deveres escolares, além de se sentirem
mais pertencentes a sociedade.
O processo de alfabetização desses adultos precisa ser dialógico com a realidade deles e
delas, que suas vivências sejam ponto de partida para a aprendizagem e que possam desenvolver a
leitura crítica do mundo, da sociedade, da sua realidade. E que se vejam como sujeitos, como
atores capazes de transformar essa realidade.
Referência bibliográfica:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992
Temas geradores
Eu estava realizando as atividades sobre tema geradores e me apareceu a imagem abaixo
Entendo que há temas que são necessários propor e que muitas vezes o trabalho em sala de aula será feito com assuntos que somos nós que trazemos e não dos alunos. Mas me causa esse estranhamento olhar pra uma tabela que sugere, pra não dizer impõe, temas por série ignorando completamente quais turmas terão e como elas serão. Isso me faz lembrar as colegas que fazem um caderno de planejmento uma vez e permanecem os reutilizando até o fim dos dias sem mudar uma vírgula.
ETICs, estágio, semestre e a vida
A última atividade da interdiciplina de ETICs é sobre como utilizar as tecnologias em educação em aula e o que pretendemos realizar no nosso estágio. É impossível realizar essa atividade sem pensar no estágio e no quão próximo o curso tá do fim. Eu desisti da minha outra graduação e quase desisti desta. Assumo que não sou a pessoa mais empolgada com a pedagogia e que minha falta de organização pra realizar as atividades e a procrastinação eterna não é só falta de tempo, ainda que essa escassez no meu tempo seja bastante importante, mas também é reflexo de uma ansiedade em fazer minhas atividades da vida terem sentido e no momento permanecer em sala de aula seja tão difícil. Estudar e refletir sobre como ser uma professora melhor e como auxiliar melhor meus alunos na construção do seu conhecimento quando tenho 40 horas em sala de aula e, sendo uma semana após a data que eu deveria ter recebido, não ter notícias do salário. É triste, é desesperador, é frustrante. Quero terminar o curso, quero permanecer em sala, mas tá cada vez mais difícil.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Teoria e prática
Ontem eu fiz a atividade e a postagem sobre o que pretendo deixar para os meus alunos. Mais tarde fui a uma atividade das mulheres da frente quilombola de Porto Alegre em alusão ao 25 de julho, Dia da Mulher Negra latino-americana e caribenha. Nessa atividade, eu, mulher branca, fui pra ouvir. Porque sou professora e tenho a mania de discursar, de achar que sei tudo e querer ensinar. fui porque todas as vezes que reclamo de os homens não questionarem seus privilégios, também não questiono o meu de branca. Nunca questionei, por exemplo, se sou feminista ou não. Pra mim é um assunto dado e ver as mulheres negras se questionando se seria um conceito que elas adotam ou não foi um soco no estômago de toda a minha "desconstrução", uma vez que elas não se sentem representadas e incluídas em um conceito que pra mim resume muito da luta que faço. Afinal sou socialista, mas uma socialista feminista, uma feminista que a revolução será feminista, negra e LGBT ou não será. Sou uma professora socialista, feminista, LGBT e que sempre tenta ter uma prática anti-racista. E, como disse Rosa Luxemburgo, não estaremos perdidos se não tivermos desamprendidos a aprender. Fui pra atividade sabendo que como professora branca numa escola de periferia a minha Síndrome de Senhorita Morello¹ é testada a todo momento. Mas ouvi lá coisas, como a do feminismo que não havia sequer refletido ainda e que foi importante ter ido.
Então, talvez o que queira realmente deixar para os meus alunos, seja isso, a capacidade de sempre aprender. De entender que nunca saberemos de tudo e que, se estivermos atentos, estaremos em constante processo aprendizagem.
Mas é engraçado todo esse texto falando sobre ontem já que queria vir falar na verdade sobre um outra atividade, desta vez de linguagem, em que, ao responder o trabalho entendi toda a crise que tenho com meu aluno e que não sabia intervir. Estava quebrando a cabeça pensando em como auxiliá-lo no desenvolvimento da sua aprendizagem. Se eu tivesse feito o trabalho no prazo certo, poderia ter os elementos desde o princípio do ano e não ter perdido tanto tempo. Foi mais uma experiência de que teoria e prática devem caminhar lado a lado, uma alimentando a outra.
¹A crise não muda, é aquela que foi retratada na série americana “Todo mundo odeia o Chris”. A personagem Srta. Morello (Jacqueline Mazzarela) retrata uma pessoa branca que reconhece seus privilégios, mas de forma tão soberba que realmente se acha superior em tudo e acredita que todos os negros dependem de sua ajuda e assistência. Vê se em vários episódios a professora do protagonista da série Chris Rock (Tyler James Williams) com suas “melhores intenções” tentando ajudar o personagem em sua história trágica que criou em sua mente. Fonte https://www.geledes.org.br/eu-um-garoto-negro-e-crise-da-srta-morello/
Então, talvez o que queira realmente deixar para os meus alunos, seja isso, a capacidade de sempre aprender. De entender que nunca saberemos de tudo e que, se estivermos atentos, estaremos em constante processo aprendizagem.
Mas é engraçado todo esse texto falando sobre ontem já que queria vir falar na verdade sobre um outra atividade, desta vez de linguagem, em que, ao responder o trabalho entendi toda a crise que tenho com meu aluno e que não sabia intervir. Estava quebrando a cabeça pensando em como auxiliá-lo no desenvolvimento da sua aprendizagem. Se eu tivesse feito o trabalho no prazo certo, poderia ter os elementos desde o princípio do ano e não ter perdido tanto tempo. Foi mais uma experiência de que teoria e prática devem caminhar lado a lado, uma alimentando a outra.
¹A crise não muda, é aquela que foi retratada na série americana “Todo mundo odeia o Chris”. A personagem Srta. Morello (Jacqueline Mazzarela) retrata uma pessoa branca que reconhece seus privilégios, mas de forma tão soberba que realmente se acha superior em tudo e acredita que todos os negros dependem de sua ajuda e assistência. Vê se em vários episódios a professora do protagonista da série Chris Rock (Tyler James Williams) com suas “melhores intenções” tentando ajudar o personagem em sua história trágica que criou em sua mente. Fonte https://www.geledes.org.br/eu-um-garoto-negro-e-crise-da-srta-morello/
terça-feira, 24 de julho de 2018
Que marcas da sua prática pedagógica você gostaria de deixar nos seus alunos?
Um dia eu terei que aprender. Aprender a ser menos irresponsável e me prejudicar menos. A última postagem, de março, falava na minha felicidade em ter aula com o Johannes, 4 meses depois vem a segunda postagem. Se eu tivesse o mínimo de senso eu desistiria do curso e não faria as pessoas terem mais trabalho porque eu não consigo trabalhar com prazos e pressão para fazer as atividades.
Mas, vamos lá, acabei de responder a questão "Que marcas da sua prática pedagógica você gostaria de deixar nos seus alunos?". É interessante reponde a essa pergunta porque ela vem martelando na minha cabeça há algum tempo. Respondi com algumas coisas que acho importante, mas ainda assim não fiquei satisfeita com a resposta porque pra mim não é uma conclusão que eu chego quando penso nisso, mas sim processo. Processo de reflexão do que faz com que eu ainda esteja em sala de aula e não queria sair. Por muito tempo foi cômodo permanecera ali. É o que sei fazer e, ainda que eu seja muito crítica com a minha prática pedagógica, espero que faça bem. constantemente estou em sala me perguntando o que quero daquela lugar e o que de mim quero deixar ali. Não tem sido fácil permanecer em sala de aula, mas uma das coisas que me motiva é o contato com as crianças, e principalmente com os adolescentes. Talvez essa minha preferência seja justamente porque os mais velhos já tragam uma bagagem maior e com as quais seja mais fácil ter como ponto de partida, talvez seja porque cada vez mais eu veja como é necessário olhar para esses adolescentes, enxergá-los e ouví-los. Mas pensando em tudo isso, talvez o que eu queira deixar para meus alunos mude a cada momento e dependa de cada um. Não há resposta ainda pra essa pergunta. Não sei se algum dia terei só uma.
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